Boleto mensalidade
CPF:

Estimados,

O difícil cenário que o COVID-19 nos impõe é ao mesmo tempo desafiante e muito complexo, porém também é um estímulo ao exercício de um princípio que há muito tempo não vemos em nossa sociedade. Nos referimos à empatia.

De modo simples, podemos dizer que “empatia é o ato de nos colocarmos no lugar do outro”, ou seja, trata-se da competência psicológica que nos permite inferir o que sentiria uma pessoa caso estivéssemos na mesma situação em que ela se encontra. Pode ainda ser entendida como um princípio que consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar, de forma objetiva e racional, o que outro indivíduo está sentindo.

Diante deste conceito, sugerimos que façamos todos (Professores e Responsáveis) um exercício de empatia, procurando nos colocar “no lugar” de cada aluno do Ensino Médio (EM) atual. Não nos referimos apenas aos alunos do Centrinho — que são naturalmente nosso primeiro foco. Nos referimos a cada aluno do EM da Sociedade Brasileira que em breve enfrentará o desafio do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Não é preciso muita inteligência emocional, tampouco elevado raciocínio lógico, para entender que enfrentamos uma situação social completamente atípica, jamais vivenciada em história recente, e que a realidade dos alunos no todo é bem diferente de alguns meses atrás.

Os discentes estão submetidos a indiscutível estresse psicológico, em especial por enfrentarem súbita necessidade de adaptação a uma realidade que lhes foi imposta, diante de arriscado panorama de comprometimento de sua própria saúde, bem como a de familiares e conhecidos. Não se tratando de conjectura, mas de uma realidade cruel e, ainda assim, tendo que manter o mesmo nível de desempenho acadêmico que possuíam em condições normais de convivência social, onde as atividades eram presenciais e livres do risco atual.

Basta simples avaliação de todo o enredo social no qual estamos inseridos com essa pandemia para concluirmos que há inquestionáveis razões, aliás mais do que suficientes, para que os alunos se sintam absolutamente tristes e desmotivados, porquanto estão vivendo sob uma dinâmica cuja convergência de informações, por certo, tende a deixá-los cada vez mais confusos, deprimidos e impressionados, motivo pelo qual nossa atuação precisa ser, acima de tudo, muito bem planejada e tecnicamente fundamentada, particularmente sob o ponto de vista psicopedagógico, em especial, para que não se permitam prejuízos a aprendizagem.

Nada obstante, face ao difícil contexto de conhecimento ostensivo, não seria de todo incompreensível verificar que alunos, em particular (e infelizmente) da rede pública, estejam com dificuldades de obter suporte e acesso às plataformas de ensino do respectivo Sistema.

Assim, é difícil entender a postura do Governo Federal, por meio do MEC, insistindo em manter o Exame (ENEM) diante de todos os aspectos técnicos que se apresentam neste momento de nossa realidade social, pois inegavelmente incontroversos no sentido de suspender a referida avaliação. Claramente, sendo mantida, trará ainda maior estresse a nossos jovens, além de prejuízo a muitos, que enfrentam tristes realidades com perdas e dificuldades pelas quais estão sendo acometidos em razão da pandemia e do isolamento social. Sem falar na lamentável e peculiar polarização política, com toda a carga de impropérios, que não serve à Causa da Educação, tampouco de exemplo a quem quer que seja.

É pelo exercício de empatia com foco na atual situação psicopedagógica de todos os alunos, especialmente os do EM, que nos posicionamos a favor do pleito dos alunos do Centrinho defendendo a suspensão do ENEM. E para não nos estendermos diante das inúmeras e variadas considerações e razões técnicas que justificam tal suspensão, inclusive, com a interrupção de suas inscrições, citamos quatro e, a seguir, duas questões a serem respondidas.

  1. O isolamento social, que impôs às escolas a necessidade de implantação de diferentes modelos e distintas plataformas de ensino para atender às demandas originadas pela pandemia, sendo certo que tais plataformas ampliaram as diferenças dos processos de ensino-aprendizagem, aumentando a distância entre o ensino público e o particular. Afinal, é clara a necessidade de investimentos para garantir acesso à tecnologia apropriada ao alcance dos objetivos pedagógicos de aprendizagem, o que infelizmente não se pode garantir que tenha ocorrido no ensino público e até mesmo em alguns casos, no ensino privado. Consecutivamente comprometendo a isonomia de preparação dos alunos para o referido exame, agravando o fato de que, sem dúvida, muitos já se encontram sob cruel desigualdade pedagógica, gerando situações absolutamente discrepantes em relação aos exames dos últimos anos e, por oportuno, afirmamos, injusta;
  2. As diferentes medidas adotadas pelos governos — Federal, Estaduais e Municipais, que sem o mínimo consenso ou alinhamento, ou ainda pela falta de afinidade e/ou falta de preparo dos Sistemas de Ensino — eventualmente levaram o público escolar a estar submetido a contextos bastante distintos. Sendo mais estressante para uns que para outros, tendo alguns cidadãos a possibilidade de sair de casa (em regiões menos afetadas pela pandemia) enquanto outros permanecem “enclausurados”.
  3. A forma como cada família reage ou é afetada pela pandemia, variando muito e certamente afetando o preparo e desempenho dos alunos;
  4. Um país com dimensões continentais e cerca de 5570 municípios, nos quais as condições de confinamento foram diversas, algumas severas, outras brandas, com alunos conseguindo acesso a boas plataformas de ensino e outros sem acesso a qualquer plataforma, ou ainda outros com acesso a plataforma que não atendia suas necessidades pedagógicas;
    — Como esperar bom desempenho de alunos que perderam familiares, amigos ou que simplesmente tenham sido acometidos por problemas emocionais ou mesmo por terem contraído o COVID-19?

— Como alunos que não tenham tido condições de preparo poderão enfrentar, em “igualdade de condições”, alunos que tiveram todas as condições de preparação para o exame?

Seria possível continuar nossa argumentação e elencar uma série de pressupostos técnicos face ao contexto com o qual nos deparamos, porém, há de se louvar a atitude solidária de nossos alunos, alunos de uma escola privada que poderiam se beneficiar com os estudos mantidos em uma plataforma especialmente desenvolvida e alimentada para eles, mas que preferem se solidarizar com os demais alunos, com os que possivelmente não possuem o mesmo acesso a tecnologias e, num belo exercício de empatia, se põe a tratar do problema como seu, um problema social. Não com a insensibilidade que vemos em algumas pessoas que sequer conseguem compreender basicamente o quão importante é a empatia, a solidariedade e, acima de tudo, uma educação de qualidade para todos!

Parabéns aos alunos do Centrinho pela iniciativa!

Contem com nosso apoio!!!

Equipe Pedagógica do Centrinho